Hilan Bensusan
Hilan Bensusan faz performance, filosofia e instalação. Pesquisa na
Universidade de Brasília. Gosta de hibridismos como a de política e
técnica, a de vivos e mortos, a de anciões e ciborgues, a de golem e
manequim, a de intervenção e interrupção. E gosta da hybris discreta.
O desarmado
Performance em que um trabalhador com uma
arma de brinquedo quebrada se movimentando
lentamente. Ao seu lado, a tabuleta onde se lê
variantes do texto: Em vez de revoluções, golpes
de estado; a polícia protege os governos contra
os governados; sobraram as ditaduras
constitucionais e os desarmados. Realizado em
Jacomulco, Tlatelolco (DF, México), Zócalo (DF,
México) em 2014; Museu da República e Galeria
Ponto, Brasília, 2016.
Museu da República, Exposição Coletiva “Não Matarás”, 2017
“O Desarmado” no Museu da República, durante o colóquio “Não Calarás”, 2017
“O Desarmado” em Jacomulco (México), 2014
“O Desarmado” Tlatelolco (DF, México), 2014
“O Desarmado” Zócalo (DF, México), 2014
Golem Herculina Barbitúrico
Sobre o corpo de uma manequim
hermafrodita (inspirada na trans-hermafrodita
Herculina Barbitúrico, personagem do livro
Breviário de Pornografia Esquizotrans) a
palavra hebraica תמא que significa 'verdade' e
que é escrita no corpo de um golem para dar-
lhe vida e começar um processo em que ele
cresce indefinidamente a cada dia. Realizado
no Museu da República, Brasília na exposição
Fora do Eixo, 2017.
Catábases
Performance de um enterro a menos de sete
palmos do chão. Cavar a própria cova é parte do
processo e diferentes textos acompanham o
enterro (um testamento, um texto sobre a ineficácia
da morte como política, ou um protesto sobre a
persistência do horror a bruxas). Realizada no
evento Noites Mortas na 408 norte em Brasília em
2013, no memorial Darcy Ribeiro em 2016 e na
galeria F.U.G.A. em 2017.
Registro da “Catábases”, em Noites Mortas 408 norte em Brasília, 2013
Casamento com 'O lugar onde temos razão'
Casamento com um poema de Yechuda Amichai
onde oficiante e ambos os noivos estão com
vestidos de noiva. O poema, escrito em hebraico
e traduzido em português, é a cabeça do corpo.
Galeria Espaço Piloto, Brasília durante a coletiva
Orientação a Objetos, 2013.
Drag Hijra
Performance em que uma hijra (identidade de gênero indiana
associada tanto à prostituição quanto à bençãos de fertilidade e
prazer) pinta a cara de quem quer saber de sua vida afetiva e, ao
fazer um bindi, conversa sobre o afeto, a vida amorosa e a
proliferação. Galeria Decurators, Brasília, 2014.
Heráclitas
Performance em que Heráclitas,
transformações de gênero e número de
Heráclito circulam e falam trechos
apócrifos do pensamento recente de
Heráclito documentados no livro
Heráclito, Exercícios de Anarqueologia
(com Luciana Ferreira e Leonel
Antunes). Nas ruas de Brasília e nas
óperas Depressa, por favor é tarde, em
São Paulo e Música para matar artista
em Brasília.
https://www.youtube.com/watch?v=3YTYm4_wWBI
Andarilho no plano
Video-performance da chegada do homem do saco verde no plano piloto de Brasília pelo
espaço entre as faixas do Eixo Rodoviário Sul. O andarilho fala sobre hospitalidade e
performance e é filmado por um carro que tricota pelas tesourinhas o Eixo, fazendo todas
as curvas necessárias para estar às voltas com a linha reta. Imagens de Laura Virgínia.
https://www.youtube.com/watch?v=jL3ycVcF6fg&t=11s
Assombrações
Performance e video de uma busca por um dispositivo telefônico que permita falar com minha mãe que já morreu. Nas lojas, os
vendedores tem reações quotidianas, assustadas ou protocolares. Paris 2011.
https://www.youtube.com/watch?v=J_tl5nKrj0U&t=1399s
Erotex e Dionisina na farmácia contemporânea
Palestra-performance em que como lixeiro e como médico espalho pelo ar gotas de estrogênio, de viagra e de antidepressivos
enquanto falo dos dispositivos e das interrupções de Eros e Dionisos. Museu de Arte do Rio (MAR), 2016.
https://www.youtube.com/watch?v=FbxPwjYoeVk
Uma etiologia do delírio pansexual
Palestra-performance sobre o sexo não-humano como concebido por Marx e Lyotard
em que me dispo de um cinto de uvas e um colar de tomates. Universidade de
Brasília, 2012.
λhttps://www.youtube.com/watch?v=5bcee_0N6r4
Dexistência
Vídeo-performance de uma conversa no parque entre a pachamama, o monociclista e dois bípedes sobre o luto, a
lida e viver na desistência, a dexistência. Brasília, 2012, com Luciana Ferreira e Ingrid Barros.
https://www.youtube.com/watch?v=1BDBcKW72Oc
Inarqueologias
Performance de uma inserção de dois fragmentos recentes de Heráclito (compilados no livro
Heráclito, Exercícios de Anarqueologia, com Luciana Ferreira e Leonel Antunes) gravados em
pedra. No castelo de Sappho em Lesbos, devota de Artemis como Heráclito, Scalla Eressou,
Lesbos, 2011 com Fabiane Borges.
https://vimeo.com/22093680
Não falo, danço
Video-dança em que alguns solos de pénis são justapostos sob uma música
maquínica de Henri Pousseur (Viva Cuba). Os pénis dançam com facas, veludos,
elefantes de marfim, almofadas, volumes da História da Sexualidade, adesivos,
panos e balões. Com Fabiane Borges e corpo de baile, 2006.
https://www.youtube.com/watch?v=hWQ8Vf-O30M&t=2s
Everything is capital
Performance em que Rellena de Jalapeño lamenta os rumos recentes dos fluxos
nas comunidades humanas: tudo se descodifica em capital. 2008.
Sevilla hecha de Potosí
Performance em que os transeuntes das cidades de Potosí, Bolívia e Sevilla, Espanha se comunicam em busca de informação sobre a
prata que saiu de Potosí no século XVII em direção ao porto de Sevilla. A comunicação é feita com um performer pelas ruas de Potosí e
outro pelas ruas de Sevilla. Com Aharon, 2018.
λCeci n'est pas un humain
Intervenção urbana com adesivo sobre superfícies do equipamento urbano de Londres, Brighton e Bruxelas. Invoca o avesso do
humano no inumano, no desumano e no não-humano. 2014.
Chercheurs d'hospitalité
Performance de buscadores/pesquisadores da
hospitalidade que batem na porta das casas
na cidade perguntando para quem os
moradores abrem a porta. Após apresentar o
cartão de visita, muitos moradores convidam
para entrar e tomar um café ou chá ou outras
bebidas. Bruxelas, 2016, com Aharon.
Donate your citizenship
Programa de doação de cidadania como se doa órgãos. Pessoas preenchem uma carteira associada a uma base de dados. A carteira
torna-as doadoras de sua cidadania depois de sua morte. Coleta de doadores de cidadania em Bruxelas, Lisboa e Londres. Uma
exposição associada ao trabalho teve lugar na Galeria Ana Lama em Lisboa em dezembro de 2016. Com Aharon.
https://www.youtube.com/watch?v=zlXHCXgfQIM&t=137s
Movediços
Instalação de piscinema onde se projeta o vídeo com o poema Movediços em uma banheira cheia de leite com barquinhos de canela
que flutuam. No vídeo, toca-se a música “Si la mar era de leche” que era um acalanto que meu pai cantava. O poema é sobre a
memória do meu pai. A instalação foi realizada na galeria Decurators, Brasília no ciclo De Comer em 2015.
https://www.youtube.com/watch?v=s4c04IWuf4A&t=170s
Carne no sangue
Instalação de piscinema onde se projeta o vídeo “On raw and grilled substances”, filmado em 1998 com Fernanda Frade e Oliver
Sharpe em uma banheira cheia de sangue com pequenos bonecos em forma humana que flutuam. O vídeo associa substância em
Spinoza à carne, em seus diversos modos. A instalação foi realizada na galeria Decurators, Brasília no ciclo De Comer em 2015.
Nenhum objeto
Instalação com um caixão que, fechado, toca trechos do romance 'Nada' de Jane Teller. Trata-se de um romance em que uma pilha
de significados é composta para exorcizar a ideia de um menino de que nada tem sentido. Galeria Piloto, Brasília na coletiva
Orientação à Objetos, 2013.
Um objeto
Instalação de um tênis arrebentado pelas manivelas de uma escada rolante em um pedestal prateado. Em volta do objeto se
lê: A errática é a erótica da alagmática. A errância da destruição acidental do tênis pela escada rolante é da pulsão mesma da
vicissitude. Galeria Espaço Piloto, coletiva Orientação a Objetos, Brasília, 2013.
Dois objetos
Instalação de um trem em volta de um único manequim vestido de noiva e com um poema de Yechuda Amichai na cabeça. O trem
carrega nomes, como 'objeto pequeno a', 'talismã´ e ´objeto de amor´, que são os nomes possíveis para o poema de Amichai que
está no centro do círculo por onde anda o trêm. . Galeria Espaço Piloto, coletiva Orientação a Objetos, Brasília, 2013.
Object-Oriented
Instalação de um trem sobre
material aveludado que leva
diferentes nomes para 6 objetos de
papel da mesma cor que o material
do chão. Na coletiva homônima na
galeria Leighon Space, Londres,
2011.
Mc Bicho Bicha
Performance do MC Bicho Bicha cantando sobre esquecer a espécie humana, sobre a mina Pachamama feroz e graciosa e sobre o
poder de bicho da bicha (e da rena dadivosa - caribu!). Apresentado na Árvore Monstro 2014 (Sala Funarte, Brasília), na Galeria
Decurators, Brasília em 2015 e na Galeria Ponto, Brasília, 2018
Outras aparições do “Mc Bicho Bicha”
EP Batidas de Animismo Futuro
1. Essa mina, a Pachamama
2. Santo-Antônio Trilobita
3. O dono do cemitério
4. Música de Amor.
http://dionysian-industrial-complex.net/cplx-4-mc-bicho-bicha-batidas-de-animismo-futuro/
Livros
“Excessos e exceções”(Ideias e Letras, São Paulo, 2008) apresenta uma filosofia do
que é sem cabimento que dá origem ao romance sobre as artimanhas das palavras
com as coisas, “Pacífico Sul” (Confraria do Vento, Rio de Janeiro, 2012). “Breviário de
Pornografia Esquizotrans” (Ex-Libris, Brasília, 2010) tem como uma personagem
Herculina Barbitúrico que aparece na performance Golem Herculina Barbitúrico, uma
trans-hermafrodita. “Heráclito, Exercícios de Anarqueologia” (Ideias e Letras, São
Paulo, 2012) apresenta novos fragmentos de Heráclito - dois deles objeto de
inarqueologia na performance Inarqueologias - e alguns textos apócrifos associados à
possível transição de gênero e número de Heráclito - como aparece nas
performances das Heráclitas. “Being Up For Grabs” (Londres: Open Humanities,
2016) apresenta uma filosofia do incidental e retoma alguns fragmentos recentes de
Heráclito em conjunção com outros exercícios anarqueológicos, uma na Etiópia, outro
no México. “A diáspora da agência” (Salvador, EdUfba, 2018) e “Linhas de Animismo
Futuro” (Brasília, Mil Saberes, 2017) apresentam uma filosofia da agência dispersa e
do animismo e fornecem elementos para as músicas de Batidas de Animismo Futuro,
do MC Bicho Bicha.
Performances:
1. O Desarmado, na cidade do México e em Xalapa em abril de 2014 e no Museu Nacional da República, Brasília em agosto de
2017.
2. My document for a guest, com Aharon em vários hotéis e ruas de Praga na ocasião do III Bienal de Performance e Filosofia,
junho de 2017
3. Donate Your Citizenship, com Aharon, nas ruas de Londres, Lisboa e na Galeria Ana Lama, Lisboa, dezembro de 2016.
4. Chercheurs d'hospitalité, with Aharon, nas ruas de Saint Josse ten Noode, Brussels, novembro de 2016.
3. Erotex & Dionisina na farmácia contemporânea, Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, setembro de 2016.
4. As duas mortes, Fundação Darcy Ribeiro, Brasília, maio de 2016.
5. MC Bicho-Bicha, Galeria Decurators & Sala Funarte, Brasília, dezembro de 2014, setembro de 2015.
6. Ceci n'est pas un humain, com Aharon, nas ruas de Brighton, junho de 2014.
7. Casamento com “O lugar onde temos razão” de Yechuda Amichai, com Monica Udler, Galeria Espaço Piloto, Brasília, novembro
de 2013.
8. Anábase e Catábase - Noites Mortas, ruas de Brasília, de julho à septembro de 2013.
9. Uma dermatologia especulativa, Casa Rui Barbosa, Rio de Janeiro, October 2013.
10. O andarilho no plano, com Laura Virgínia, ruas de Brasília, em agosto de 2013.
11. O profeta das grandezas do ínfimo, Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília, maio de 2013.
12. Beats and Being, em Guilford por ocasião da I Bienal de Performance e Filosofia, abril de 2013.
13. Uma etiologia do delírio pansexual, Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília, Brasília, agosto de 2012.
14. Uma pachamama qualqueer, Tubo de Ensaios - Festival de Performances da Universidade de Brasília, junho de 2012.
15. Compulsões e convulsões, com Pedra Costa, Universidade de Brasília, setembro de 2011.
16. Inarqueologias, com Fabiane Borges, Castelo de Sappho, Scala Eressou, junho de 2011.
17. Heráclitas, nas ruas de Brasília, São Paulo e em duas óperas (Música Para Matar Artista, em Brasília, e Depressa, por favor, é
tarde, em São Paulo), de 2009 a 2010.
18. Las FARC-L, Bogotá, na Convergence of the Hemispheric Institute, junho de 2009.
19. Meu falo rosa, Bogotá, na Convergence of the Hemispheric Institute, junho de 2009.
20. Entre-gêneros literais e entre-gêneros literários, no IV Colóquio de Filosofia e Ficção, UERJ, Rio de Janeiro, maio de 2009.
21. Somos todas Pipa Bacca, nas ruas de Istambul em junho de 2009.
22. Disturbios nas classes, com Laura Virgínia, pelas ruas de Brasília entre maio e dezembro de 2006.
23. Segurar na mão de alguém é tudo o que eu sempre esperei da alegria, com Laura Virgínia e outros, março de 2006.
Filmes e vídeos
1. O Colar de Cora, longa-metragem de R. Gontijo, participação como ator, 2017.
2. Eudoro e o logos heráclito, longa-metragem de R. Gontijo, participação como ator, 2012.
3. Dexistência, pulsão de pausa, curta-metragem, diretor e ator, 2012.
4. Assombrações, curta-metragem dirigido com L. Lacoste, 2011.
5. Esquizotrans em Lesbos, curta-metragem dirigido com F. Borges, 2011.
6. Falo, Falo, Falo, curta-metragem dirigido com F. Borges, 2009.
7. Mulher-bicha, curta-metragem dirigido com F. Borges, selecionado para o Festival Rainbow de Fortaleza, 2007.
8. Não Falo, Danço, curta-metragem dirigido com F. Borges, 2006.
9. On raw and grilled substances, curta-metragem dirigido com Oli Sharpe, 1998.
Instalações
1. Movediços, Galeria Decurators, Brasília, junho de 2015.
2. Nenhum objeto, Galeria Espaço Piloto, Brasília, novembro de 2013.
3. Um objeto, Galeria Espaço Piloto, Brasília, novembro de 2013.
4. Dois objetos, Galeria Espaço Piloto, Brasília, novembro de 2013.
5. Object-Oriented, Galeria Leighton Space, Londres, maio de 2011.
6. Em Branco, com Fabiane Borges, Galeria Elefante Branco, São Paulo, junho de 2009.
7. Private Substances, na 100 North Street Gallery, Brighton, maio de 1999.
Exposições coletivas:
1. Não Matarás, Museu Nacional da República, Brasília, 2017.
2. Anarqueologia & Lamarqueologia, Galeria Ana Lama, Lisboa, 2016.
3. De comer, Galeria Decurators, Brasília, 2015.
4. Onde onda a onda, Museu Nacional da República, Brasília, 2015.
5. Orientação à objetos, Galeria Espaço Piloto, Brasília, 2013.
6. Object-Oriented, Galeria Leighton Space, Londres, 2011.
7. Coletiva, Galeria Elefante Branco, São Paulo, 2009.
8. A arqueologia do plástico, Galeria Espaço Piloto, Brasília, 2008.
Hilan Bensusan, 2018.